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Março Amarelo: mês da Conscientização da Endometriose

Doença cujos sintomas podem ser facilmente confundidos com cólicas menstruais intensas, representando a ponta de um iceberg. Saiba como identificar esta doença!


Algumas mulheres já conhecem e convivem com esta patologia, porém muitas outras ainda buscam entender melhor ou nem mesmo sabem que possuem essa doença. Por isso, foi criada a campanha Março Amarelo, que promove o compartilhamento de informações e com isso a conscientização sobre a doença.


No passado e ainda hoje, as mulheres escutam que suas dores são “apenas cólicas” o que nos leva a uma atraso no diagnóstico de mais ou menos 7 anos em mulheres e de cerca de 9 anos em adolescentes.


O que é Endometriose?


A endometriose é uma doença crônica, inflamatória, estrogênio-dependente que ocorre durante o período reprodutivo da vida da mulher, caracterizando-se pela presença de tecido endometrial (camada que reveste internamente o útero), fora da cavidade uterina. Há descrições seculares compatíveis com a doença, porém há dados histológicos mais concretos concentrados na segunda metade do século XIX.


Apesar da extensa literatura sobre a determinação da origem da endometriose, sua etiologia permanece desconhecida. Embora a teoria do fluxo retrógrado seja a mais aceita, diversos autores sugerem uma origem diferente para cada um dos três tipos de endometriose: a endometriose ovárica, endometriose profunda ou de septo retovaginal e a endometriose peritoneal.


Conhecer a origem de uma disfunção pode fazer a grande diferença no processo da busca pela cura e, então, de um possível tratamento preventivo.


Prevalência e incidência


Endometriose representa uma afecção ginecológica comum, atingindo de 5% a 15% das mulheres no período reprodutivo, e 3% a 5% na fase pós-menopausa. Em países industrializados, é uma das principais causas de hospitalização ginecológica.


Dados recentes do DATASUS, de janeiro de 2009 a julho de 2013, revelam que o custo da doença no Brasil chega a 10,4 milhões de reais por ano, com grande parte destes recursos investidos na região Sudeste, apesar de não representar o maior número de internações. Acredita-se que isto ocorra devido à existência na região Sudeste de um maior número de cirurgias e, portanto, de um maior número de diagnósticos definitivos da doença, sendo o setor privado, o líder desta estatística, com 64,8% versus 35,2% do setor público.


O dado mais importante, na literatura mundial, foi publicado em 2011, por Nnoaham, que apontou em um levantamento multicêntrico em 16 centros clínicos de 10 países, que mulheres com endometriose, confirmadas cirurgicamente, perdem 38% de sua capacidade de trabalho, o que representa um grande impacto socioeconômico, além de a redução impactante na sua qualidade de vida.


Sintomas da Endometriose


A endometriose pode ou não apresentar sintomas quando presente os mais comuns são:


· Dismenorreia: caracteriza-se por ser uma dor no baixo ventre durante o fluxo menstrual, em cólica, com ou sem irradiações. É um sintoma ginecológico comum, presente em cerca de 50% mulheres adultas e 70% das adolescentes.


· Dor Pélvica Crônica: se caracteriza por durar mais de 6 meses e pode ser cíclica ou não.


· Dispareunia de profundidade é identificada como aquela dor localizada no interior da pelve durante o coito vaginal e deve ser diferenciada daquela dor ou desconforto no introito durante a penetração vaginal.


· Dor associada à função intestinal: Disquezia é uma dor hipogástrica ou na região lombossacral, ou desconforto pélvico, associados ao ato de defecação. Nas mulheres com endometriose, a disquezia ocorre na fase menstrual e foi observada quando a doença infiltra a vagina, o septo retovaginal e o reto. Muitas mulheres com endometriose descrevem também na fase menstrual uma sensação de inchação ou distensão abdominal difusa, diarreia ou tenesmo com evacuações insatisfatórias. Hematoquezia menstrual e quadros obstrutivos são raros. Vale ressaltar que a Síndrome do Intestino Irritável (dor abdominal que alivia com a evacuação associada a alterações da frequência e/ou consistência das fezes e flatulência abdominal) é mais frequente nas mulheres com endometriose.


· Dor associada à função urinaria: disúria é um desconforto ou dor hipogástrica no ato da micção, com ou sem irradiação. Sua ocorrência na fase menstrual é sugestiva de endometriose urinária.


· Infertilidade de 25 a 50% das mulheres inférteis apresentam endometriose e 30 a 50% das mulheres com endometriose são inférteis (D’ HOOGHE et al., 2003)


Na presença destas condições é recomendável a investigação da endometriose. O diagnóstico clínico de certeza é difícil. Embora estas manifestações sejam muito sugestivas de endometriose, não são exclusivas desta doença e requerem o diagnóstico diferencial com outras condições: aderências, síndrome do intestino irritável, doença inflamatória pélvica, cistite, neoplasias e outras mais.


Diagnóstico por Imagem da Endometriose


A endometriose tem três apresentações distintas sob o aspecto clínico e de imagem: superficial, ovariana e profunda (EP). Esta última é definida histologicamente como lesões que penetram mais que 5 mm no peritônio. O exame clínico apresenta limitações para estabelecer a extensão das lesões endometrióticas profundas, tornando necessária a utilização de outras ferramentas para auxiliar no diagnóstico e estadiamento da doença.


Atualmente o ultrassom transvaginal (USTV) e a RM magnética são os principais métodos na detecção e estadiamento da endometriose. Os dois métodos são eficientes no estadiamento global da endometriose, com vantagem da RM nos pequenos endometriomas ovarianos e do ultrassom (trans abdominal associado ao transvaginal) nos sítios intestinais.


O USTV e a RM também têm um papel fundamental no controle evolutivo do tratamento clínico e/ou cirúrgico. De forma geral recomendamos controle com exames especializados anuais, ou, a qualquer tempo, caso hajam novos dados clínicos que indiquem a necessidade de reavaliação.


Diagnóstico Cirúrgico da Endometriose


A endometriose é definida pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, o que leva a cirurgia (de preferencia a laparoscopia) ser o Padrão-Ouro do diagnóstico, com a confirmação diagnóstica através do estudo anatomopatológico da lesão.


Nas mulheres com endometriose associada à dor ou a infertilidade, a laparoscopia terapêutica apresenta melhores resultados que a laparoscopia diagnóstica isolada.

Portanto diagnóstico da endometriose e a decisão sobre o tipo de tratamento a ser implantado depende de uma boa Anamnese, Exame Físico (principalmente toque vaginal), Exames Laboratoriais e de Imagem. A cirurgia é o tratamento de escolha para pacientes sintomáticas que não responderam ao tratamento medicamentoso. Os dois sítios que mais influenciam no planejamento cirúrgico da endometriose são as vias urinárias e o retossigmoide. Neste último pode ser feita ressecção apenas do nódulo ou do segmento intestinal acometido pela doença.


Tratamento da Endometriose


A endometriose por ser uma doença crônica e necessita acompanhamento durante toda vida reprodutiva da mulher, pois é aqui onde ela se encontra mais sintomática.

O tratamento deve ser individualizado caso a caso conforme o objetivo e os sintamos apresentados pela paciente.


A endometriose possui manifestações anatômicas distintas e para o adequado tratamento, a identificação do tipo de endometriose (superficial, profunda ou ovariana) é fundamental, pois cada apresentação demonstra resposta diferente aos tratamentos disponíveis e por isso devem ser individualizados.


O tratamento clínico da dor na endometriose baseia-se na indução do hipoestrogenismo. As alternativas disponíveis para este fim são o Danazol, a Gestrinona, os Pro gestagênios isolados, os Contraceptivos Hormonais Combinados, os Análogos do GnRH e os Inibidores da Aromatase. Os anti-inflamatórios não hormonais(AINH) também podem ser usados como medicamentos adjuvantes.


Terapias complementares podem ser indicadas para alivio e controle dos sintomas como: acupuntura, acompanhamento nutricional, atividade física, fisioterapia do assoalho pélvico, psicoterapia.


A decisão sobre a realização de tratamento clínico ou cirúrgico depende, de forma preponderante, do quadro clínico, assim como do desejo reprodutivo, da idade da paciente e das características das lesões (locais e estádio da doença). As informações que os métodos de imagem podem nos oferecer, que são necessárias para o planejamento cirúrgico, e escolha da equipe multidisciplinar. O tratamento cirúrgico da endometriose deve ser preferencialmente conservador.


Terapias complementares podem ser indicadas para alivio e controle dos sintomas como: acupuntura, acompanhamento nutricional, atividade física, fisioterapia do assoalho pélvico, psicoterapia.

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